sábado, 8 de outubro de 2016

leitura em gotas: De Sidon a Abdera (30º capítulo)

Leitura em gotas:

O efraimita: a tribo perdida de Israel

Capítulo 30

De Sidon a Abdera




Os cavalos estavam sendo levados pelos assírios, quando Michael voltou ao seu povo.
Subiu numa encosta e falou em alta voz: — Efraimitas, restam-nos três opções: a primeira, é retornar à Samaria, correndo o risco de novo ataque dos assírios em represália; a segunda opção é juntar-se aos amorreus, pois o Rei de Cush abriu a possibilidade de receber 10.000 pessoas, entre agricultores, soldados e ferreiros com as respectivas famílias; a terceira opção é vir comigo para terras além da Grécia. Será uma aventura e não garanto a vida de quem quer que seja. Mas garanto, terras e liberdade para aqueles que sobreviverem.
— Vamos formar 3 grupos: à direita, Samaria; à esquerda, Cush, e no meio os que virão comigo.
Cerca de 15 mil pessoas estavam dispostas a seguir Michael. As outras 20 mil dividiram-se entre os outros grupos.
Michael disse aos seus que deveriam estar prontos em duas horas para iniciar a jornada.
— Para onde nós vamos? Perguntou Simeon.
— Nós vamos para a Fenícia, para o porto de Sidon.
Em dois dias, Michael e seu povo chegaram a Sidon.
Michael procurou logo o dono de duas fragatas ali fundeadas.
— Eu alugo 20 navios para vocês por 5.000 sistércios.
— Eu tenho algo mais valioso do que sistércios. Redarguiu Michael ao homem grisalho que fizera a proposta.
— O que seria? Escravos? Esses eu já os tenho demais.
— Michael mostrou ao velho uma caixa de ouro maciço cravejada de diamantes, que retirou dos despojos antes que os amorreus se apoderassem deles.
— Um momento. O velho foi consultar-se com outra pessoa e voltou em seguida. — Tudo bem, vocês têm 20 navios.
Embarcavam em cada navio cerca de 500 efraimitas juntamente com a tripulação de 8 homens.
Tudo pronto, os navios zarparam em direção à Grécia. Seriam 22 horas de viagem. Fez tempo bom e o vento era favorável.
Aportaram em Abdera, na Grécia, às 16 horas. Nesse momento, vieram algumas pessoas procurando Michael.
— Eu sou Michael.
— Michael, você e seu povo são bem-vindos. Mas temos hospedagem para apenas 100 pessoas. Mas vocês poderão acampar a leste da cidade e nós podemos trazer-lhes alguns animais para seu consumo.
— Agradecemos. Nós aceitamos os animais. Respondeu Michael fazendo sinal a um soldado para trazer ouro para pagar pelos animais.
Aquela noite foi de comemoração no acampamento efraimita. Seria terrível para o espírito livre daquele povo submeter-se aos assírios. Houve muita dança e cantigas ao redor do fogo, onde se assavam as carnes.  
Depois de semanas de viagem, cerca de 5.000 efraimitas estabeleceram-se às margens do rio Isar, ao norte dos Alpes. Michael e os demais efraimitas, cerca de 10 mil, resolveram continuar e se estabelecer próximos do Rio Elba, numa região eslava chamada Drezvan.
Esse foi o ponto final da caminhada dos efraimitas. Hoje, 50% dos moradores de Dresden e 1/3 dos moradores de Munique tem sangue efraimita correndo em suas veias.
Michael e Penina tiveram 5 filhos. Ele foi o comandante do exército efraimita. Marducai estava com eles e foi o sacerdote do templo efraimita. Caleb continuou com seu ofício de ferreiro. José foi nomeado chefe das tropas efraimitas.

E assim termina a saga de Michael e Penina, que foram mais do que bons efraimitas, foram pessoas que acreditaram nos seus sonhos e puderam realizá-los.    

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

leitura em gotas: Imediações de Damasco (29º capítulo)

Leitura em gotas:

O efraimita: a tribo perdida de Israel

Capítulo 29º

Imediações de Damasco



Michael ia à frente da tropa de dez legiões (=10.000 homens), a maioria de arqueiros. Eles iam encontrar-se com os assírios na planície antes de Damasco. Os amorreus eram habilíssimos arqueiros. Descendentes dos canitas (Cão foi um dos filhos de Noé), odiavam os assírios, porque estes devastaram as suas aldeias há cerca de 30 anos atrás.
Enquanto isso, a dois quilômetros atrás de Michael marchava a tropa ocidental de Cush, fortemente armada e, mais a leste, outra tropa de guerreiros de Cush.
O rei havia aprovado o plano de Michael que era o ataque do terço final dos assírios, que acompanhavam os efraimitas, pelos dois flancos, contando com o auxílio dos deportados. O terço mediano dos assírios seria atacado pelos arqueiros de Michael, isolando, assim, o primeiro terço dos soldados assírios. 
Foram dois dias de uma extenuante caminhada, para que chegassem à frente dos guerreiros assírios. Então Michael subiu as montanhas com seus homens e iriam emboscar os assírios naquela estreita passagem que dava acesso à planície.
De longe, podia-se ver a tropa assíria se aproximando. Michael e seus homens estavam deitados por sobre o penhasco. Esperaram o terço inicial passar e Michael levantou-se preparando o seu arco e seus homens fizeram o mesmo. Ele gritou: – Agora! As flechas sibilaram no ar e se encontraram com os corpos dos assírios que começavam a olhar para cima, tendo sido a grande maioria ferida mortalmente.
O terço final recuou. Foi quando se encontraram com o ataque dos amorreus nos dois flancos. Os efraimitas, que estavam no meio dos assírios, começaram a atacar os assírios pelas costas, tomando-lhes as adagas ou jogando-os ao chão.  
Penina e sua mãe, bem assim Rute, fizeram como Michael lhes dissera para fazer. Deitaram-se no chão, simulando que estivessem mortas, ou muito feridas.
José e Caleb já tinham se apoderado de espadas dos assírios e estavam lutando ferozmente contra os assírios.
 O primeiro terço da tropa assíria bateu em retirada. Michael e seus homens desceram do penhasco e foram auxiliar o ataque às tropas assírias do último terço.
Em pouco tempo, os assírios foram vencidos.      
Michael e Penina abraçaram-se aos gritos.
Michael dirigiu-se aos efraimitas e gritou:
– Povo efraimita, quem nos libertou foi o rei dos amorreus, de Cush. A ele são devidos os despojos. Para que ele viesse em nosso socorro, fiz um acordo para que servíssemos os amorreus durante quatro anos e, depois disso, seremos livres para onde quisermos ir ou para fazermos o que quisermos fazer. Portanto, comemorem, porque hoje nós somos vitoriosos!
Muitos comemoraram, mas outros lamentaram seu destino. Um grande burburinho formou-se porque os efraimitas que estavam mais longe, queriam saber o que se tratava o número 4, mostrado por Michael por meio da sua mão.  
Michael encontrou-se com o rei e este foi logo dizendo: – Então, efraimita, preparado para servir-me?
– Eu tenho uma outra proposta a fazer-lhe e muito mais vantajosa para você.
– Sou todo ouvidos!
– Receba os efraimitas que quiserem ficar em sua cidade como concidadãos e eles o serão muito mais úteis, ou os despeça para que vão aonde quiserem ir.
– E o que ganho com isso?
– Você ganha a nossa gratidão eterna e a nossa promessa de que seremos seus aliados contra os inimigos assírios.
– Rapazinho, você é muito petulante ao propor isso para mim.
– Majestade, apenas os fracos não são generosos! Os amorreus nunca se deram bem com os hebreus, e isso vai trazer muitos problemas para o seu reinado.
– Eu aceitarei a sua proposta sob uma condição: a de que eu receba os carros de guerra e todos os cavalos sobreviventes.
– Condição aceita! Exclamou Michael.
– Na verdade, você já sabia que eu entraria nessa guerra de qualquer forma, porque nós somos inimigos viscerais dos assírios.
– Foi o que eu vim conferir, majestade.

leitura em gotas: O rei de Cush (28º capítulo)

Leitura em gotas:

O efraimita: a tribo perdida de Israel

Capítulo 28º

O rei de Cush


Já se iam duas horas desde que Michael calculara o local onde estavam pela posição dos astros. Estavam a cerca de 75 quilômetros ao norte de Samaria. Conseguiu convencer Penina que precisava fazer aquilo e que regressaria em três dias trazendo reforços.  
O acampamento estava todo silencioso. Todos dormiam e até mesmo os vigias cochilavam, porque consideravam que ninguém se atreveria a confrontá-los naquela região. Michael escolhera aquele ponto, porque poderia desaparecer na vegetação em alguns passos.
Pé ante pé ele chegou à mata e esgueirou-se até desaparecer do alcance visual.
  Michael sabia do risco que estava correndo, mas precisava fazer isso. Ele iria verificar a possibilidade de uma contraofensiva a partir da cidade de Cush, a noroeste, último reduto dos amorreus, que resistiam a tudo e a todos graças às suas habilidades militares.   
A região, abrangida pela cidade, tinha uma população estimada de 120 mil habitantes com grande poderio militar.  
Michael aproximou-se do portão e gritou que precisava falar com o rei. O portão foi parcialmente aberto e Michael, após revista, foi levado à presença do rei.
– Grande rei de Cush, trago-lhes a saudação do povo de Samaria!
– Samaria não existe mais! Redarguiu o rei.
– Cerca de 42.500 efraimitas estão sendo, agora, deportados para a Assíria. Nós pedimos a sua ajuda para fazer uma bem-sucedida contraofensiva.
– Quantos soldados têm o exército assírio?
– Calculo uns 140 mil soldados, majestade.
– E qual o plano de ataque que você propõe?
Michael aproximou-se mais do rei e lhe mostrou sua ideia com três pedras que encontrou sobre uma mesa.  
– E o que nós, de Cush, iremos ganhar com isso?
– Primeiramente, vocês não correrão risco de serem espoliados e tributados pelos assírios. Eu posso lhes garantir que é melhor ser reduzido a escravo, do que pagar tributo aos assírios. Em segundo lugar, ficarão com os despojos dos metais preciosos que puderem levar.
– Eu o apoiarei sob uma condição. Disse o rei enigmaticamente.
– Pode dizer, majestade.
– Não vamos entrar numa luta desigual como essa apenas por patriotismo. Nós queremos que vocês sejam nossos servos.
– Nós aceitamos pelo prazo de quatro anos. Depois disso, seremos livres para fazer o que nos apetecer.
– Então estamos de acordo. Qual é sua patente?
– Eu sou o terceiro homem na linha de comando. Eu sou um arqueiro.
– Então, você liderará o ataque dos arqueiros no terço mediano. Nós marcharemos amanhã e o ataque será dentro de dois dias, antes de Damasco.

O califado da região de Damasco era neutro, tanto permitindo que assírios, quanto israelitas, cruzassem suas fronteiras. 

terça-feira, 4 de outubro de 2016

leitura em gotas: A saída de Samaria (27º capítulo)

Leitura em gotas:

O efraimita: a tribo perdida de Israel

Capítulo 27º

A saída de Samaria


Eram 6 horas da manhã quando as cornetas anunciavam o início da desocupação de Samaria. Inicialmente, saíram os 50 carros de guerra tracionados por cavalos assírios, dez deles contendo os tesouros do povo entregues como despojos de guerra ao rei Sargão II.
Depois, saíram da cidade homens, mulheres e crianças num total de 42.609 pessoas desarmadas que foram sendo direcionadas para o meio do exército assírio. Michael, Penina e os pais deles saíram juntos e levavam, cada qual, uma pequena bolsa contendo roupas, colher, copo, prato, água e uma pequena barraca.  
Todas as bagagens eram revistadas e, se fosse achada alguma arma, o seu possuidor era morto na hora sem dó nem piedade.
No lado externo da muralha, dois homens falavam entre si:
– Até que horário terminaremos de reunir os efraimitas?
– Até o sol estar a pino.
– Quais são as ordens de disciplina?
– Morte a todo rebelde e fujitivo.
– E quanto a Michael, o arqueiro?
– Eu vou me encarregar dele pessoalmente. Disse Caius em tom vingativo.   
 Michael e Penina montaram uma barraca para se proteger do sol. – Michael, nós devemos abster-nos de intimidades por três dias, porque não quero ter filhos enquanto não estivermos em um local seguro.  
– Claro, meu amor! Respondeu Michael.
  Às 13 horas aproximadamente foi iniciada a marcha. Os efraimitas andavam ladeados pelos assírios.
 Como acontecia rotineiramente, cerca de dois mil soldados assírios foram destacados para trazer alimento: frutas, mel, pesca, caça e água.
   Às 19 horas, haviam andado cerca de 30 quilômetros. Pararam para armar acampamento e as mulheres deveriam preparar o alimento que os soldados começavam a trazer.
 Michael encontrou Simeon a cerca de 500 metros da sua estação. – Venha Simeon ficar conosco!
– Está bem, vou desmontar a minha barraca.
– Quais são nossas chances de fugir? Perguntou Michael.
– Se formos só nos dois será uma coisa; mas se for mais gente, será outra.
– Se formos só nós, talvez mais a Penina, poderemos levar dois cavalos assírios para termos uma boa vantagem sobre os batedores assírios.
– E para onde fugiríamos?
– Em direção ao mar, onde pegaríamos uma embarcação para a Grécia.
– Não, Simeon. Nós não podemos abandonar o nosso povo. Eu tenho um outro plano. É certo que nós seremos distribuídos nas cidades assírias e aí poderemos fugir aos milhares.
– Se nós formos parar em uma aldeia, o seu plano é viável; mas se formos parar numa cidade fortificada, será muito mais difícil para um bando grande escapar.  
 – Vamos combinar uma coisa: fugiremos juntos!
– Combinado, comandante, disse Simeon fazendo um sinal de continência militar.
– Às 21 horas, as mulheres serviram a refeição composta de cerca de 150 gramas de um guisado de carnes variadas com duas porções do arroz que trouxeram de Samaria, servido para cada pessoa adulta.
  O toque de recolher soou às 23 horas e muitos soldados assírios tiveram a companhia de mulheres efraimitas, adoradoras de Baal principalmente.
Penina e Michael ficaram juntinhos e em silêncio na barraca, até que um pesado sono se abateu sobre eles. 

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

leitura em gotas: Os termos da rendição (26º capítulo)

Leitura em gotas:

O efraimita: a tribo perdida de Israel

Capítulo 26º

Os termos da rendição


O sítio de Samaria já demorava 2 anos e oito meses. Não havia mais carne e a terra agricultável estava cansada e esvaída. A porção diária de comida já havia sido reduzida duas vezes naquele ano.
O povo murmurava dizendo por que razão ele não havia se rendido aos assírios e, agora, considerava que, provavelmente, os termos da rendição seriam mais rigorosos.  
Uma reunião de emergência fora convocada pelo concílio de anciãos e os comandantes do exército efraimita.
O ancião Saul tomou a palavra e disse: – Nós vivemos dias muito difíceis hoje e serão dias cada vez mais difíceis. A nossa pequena produção não é mais suficiente para alimentar os mais de 60 mil cidadãos de Samaria. Nós temos que decidir o que faremos. Temos três opções: primeira, permanecer intramuros e nos alimentarmos dos que forem morrendo; segunda, atacar os assírios com toda nossa força militar, o que nos levará, certamente, à nossa destruição total; terceira, negociar os termos da rendição com os assírios.
– Parece-me que essa decisão fundamental deverá ser tomada em assembleia. Vocês concordam?
Fez-se um silêncio por alguns segundos, quando Daniel tomou a palavra: – O quadro desenhado pelo ancião Saul também é o que fazemos. Não temos condições de fazer frente ao exército assírio e chegamos ao fundo do poço. Não há mais meios de aumentarmos a produção de alimentos e não temos mais carne. O nosso arsenal está baixo. Concordamos com a realização da assembleia e sugerimos o nome de Michael, o arqueiro, para presidi-la.
– Todos que estiverem de acordo, levantem uma de suas mãos. A decisão foi unânime.  
Dali a dois dias, Michael presidia a assembleia e a maioria votou pela rendição.
Então Michael foi destacado para negociar os termos de rendição com os assírios. Desceu o monte empunhando a bandeira branca e foi ter com Sargão II.
– Então é isso! Depois de terem rejeitado os meus generosos termos e de terem matado centenas de meus homens, agora vocês querem fazer um acordo comigo?
– O que ganharia, Majestade, em travar um combate com nosso exército, que renderia centena de milhares de mortos de parte a parte?  
– Quais são os seus termos? Perguntou Sargão II.
– Que todos os homens e mulheres acima de 55 anos de idade permaneçam em Samaria, que não deve ser destruída, bem assim aqueles que não puderem se movimentar: velhos, deficientes físicos e mentais. Para cada mil que ficarem, deverão permanecer 100 homens e mulheres com a respectiva prole, para cuidar dessas pessoas.
– Eu concordo com esses termos, porque não quero levar inválidos comigo. Mas quero levar os carros de guerra disponíveis.
– Temos cerca de 50 carros de guerra, mas sem os cavalos.
– De que números de pessoas estamos falando? Indagou Sargão II. 
– Cerca de 20.000 homens e mulheres acima de 55 anos. Então dois mil homens e mulheres, mais os respectivos filhos, deverão permanecer em Samaria, para cuidar desse contingente. Aproximadamente 42.500 homens, mulheres e crianças poderão ser deportados.
– Eu quero também que todo ouro, prata e joias sejam carregadas nos carros de guerra e a mim entregues. Exigiu Sargão II.
– Estaremos prontos para render-nos em cinco dias. Finalizou Michael.
Michael retornou à Samaria e foi realizada uma assembleia para informar ao povo os termos da rendição. Foi feito um recenseamento das pessoas e todos deveriam depositar os seus pertences valiosos para serem entregues aos assírios.
Houve muito choro em Samaria. Pessoas que seriam separadas de seus entes queridos estavam em prantos. Foram escolhidos por sorteio os dois mil homens e mulheres que permaneceriam em Samaria, dentre todos os voluntários para isso.
Penina, Michael e seus familiares iriam para a deportação. Sabiam que a decisão tomada por Samaria fora, dos males, o menor, e agora estavam, tanto quanto possível, otimistas em relação ao futuro e prontos para enfrentar as novas adversidades.  

leitura em gotas: O casamento (25º capítulo)

Leitura em gotas:

O efraimita: a tribo perdida de Israel

Capítulo 25º

O casamento



Passaram-se mais 5 meses e o dia de noivado de Penina e Michael chegara. A comunidade comemorava a data pondo guirlandas nas portas das casas. Mesmo os inimigos de Michael lhe felicitavam vestindo-se com seus melhores trajes. Era uma festividade para toda a cidade. Os tambores anunciavam a chegada da hora mais auspiciosa. O templo hebreu estava lotado. Além dos convidados, havia muitos curiosos que se acotovelavam e se espremiam para ver a cerimônia.
Michael já estava lá e, a seu lado, Simeon, seu padrinho. Também estavam na frente os pais de Penina e os de Michael e, no centro de todos, estava Marducai.
Penina entrou garbosamente no salão, toda vestida de seda egípcia de cor salmão. Tinha nos quadris um cinto composto de dois bordões dourados que se entrelaçavam. Tinha no penteado uma tiara também dourada com uma grande pedra ametista no centro. Seus cabelos pretos esvoaçavam nos seus ombros. Vestia uma sandália feita de couro de antílope, toda trabalhada com pedras semipreciosas.
Michael vestia uma túnica branca de algodão egípcio, contendo duas listras na cor azul em todo o comprimento da peça. Vestia, também, um pano branco do mesmo tecido que a roupa por sobre a cabeça, tendo duas listras azuis no seu comprimento.
Marducai pediu silêncio, pois um grande burburinho havia começado com a entrada de Penina.
– Este é um dia abençoado para todos os efraimitas. Todos estão sendo abençoados com o casamento de Penina e Michael. Toda a comunidade está hoje em festa, porque, hoje, é o marco de entrada desse jovem casal no mundo das pessoas compromissadas. Um compromisso com Jeová, com a comunidade e, sobretudo, com eles mesmos. Um compromisso com Jeová, porque Ele quer que essa união seja completa e harmoniosa, cabendo aos noivos buscar essas qualidades em seu relacionamento. Um compromisso com a comunidade, porque a comunidade ganha um casal que vai somar-se à mesma e que vai relacionar-se com todos e com cada um de forma equilibrada, justa e carinhosa. E um compromisso com eles mesmos, de fidelidade, de amor, de divisão patrimonial e de zelo e sabedoria para criação dos filhos que advirão desse enlace. Dito isso, Marducai ajuntou: – O casal pode substituir as alianças de noivado pelas de casamento. Penina e Michael tiraram suas alianças de prata e substituíram pelas de ouro.
– Nesse momento solene, quero que todos os presentes levantem sua mão direita e repitam comigo: – Que esta aliança seja firmada com a nossa palavra, para que não seja quebrada por quem quer que seja, e que dure para toda a vida de Penina e Michael.
Os noivos puderam beijar-se rapidamente e Marducai continuou: – Pela autoridade que me foi dada por Jeová, como sacerdote levita que sou, declaro realizado o casamento entre Penina e Michael, o qual não pode ser rompido de hoje para sempre. Dito isso, Marducai ajuntou: – Agora, Michael, traduza em palavras a sua aliança com Penina. 
– Que a minha vida seja árida e distante de Javé, se eu por um dia sequer não devotar à minha esposa todo o meu amor e meu cuidado. Que isso será visível na minha eterna fidelidade e no cuidado que devo dispensar à minha Consorte todos os dias da minha vida até que Javé me chame para seus braços.
– Agora, a aliança do casal, traduzida em palavras por Penina.
– Que eu seja estéril e desprezada, se eu não amar meu marido todos os dias da minha vida. Que a minha vida seja miserável, se eu não lhe for fiel eternamente e não lhe der filhos, tantos quantos o nosso amor suscitar.
– Que essa aliança perdure para todo o sempre à vista de Javé e de toda a comunidade efraimita! Finalizou Marducai.
Nesse momento, começou a música de harpa e cítara e todos cantaram hinos de louvor a Jeová.
Penina e Michael abraçaram a seus pais e convidados e dirigiram-se para a casa de Caleb, onde foi preparado o quarto nupcial.
Naquela noite, Michael e Penina tornaram-se uma só carne. Foram românticos e estavam felizes um com o outro. Esqueceram que estavam numa cidade sitiada por 150 mil soldados inimigos. Isso era insignificante para eles naquela noite e no horizonte de quantas outras noites fosse possível ser felizes.     

domingo, 2 de outubro de 2016

leitura em gotas: O céu pincelado de fogo (24º capítulo)

Leitura em gotas:

O efraimita: a tribo perdida de Israel

Capítulo 24º
O céu pincelado de fogo




             O dia já estava raiando quando Michael e Simeon tiveram uma ideia de como atacar os assírios. Eles foram conversar com Eliézer, que mandou chamar a Daniel. O plano consistia no ataque de arco e flecha seguido de arremesso de bolas de fogo, que seriam fabricadas com galhos de árvore amarrados com arame, cobertos com betume e cheios de material inflamável. 
O plano foi aprovado pelo comandante e, logo, todos os guardas disponíveis estavam trabalhando nas bolas e na fabricação de flechas.
Michael fora liberado por Eliézer contanto que ele retornasse às 19 horas para implementação do plano de ataque.
Michael foi a casa de Penina e lá encontrou Caleb, que o abraçou afetuosamente. – Michael, eu estou saindo para fabricar arames para o comandante Daniel. A Penina também não está. Ela está trabalhando com os pães.
– Tudo bem, sr. Caleb, eu irei me encontrar com ela lá na padaria.
– Boa sorte com o ataque! Ajuntou Caleb.
Michael encontrou Penina no seu local de trabalho.
– Oi querido! Não o esperava vê-lo aqui. Disse Penina tentando traduzir o sentimento no rosto de Michael.
– Eu recebi uma folga de três horas, mas depois preciso voltar à fortaleza. Disse Michael com um sorriso que tranquilizou Penina.
  – Eu hoje não estou de folga, então fique me vendo trabalhar! Exclamou Penina.
– Isso eu faço com prazer! Disse Michael.
Quando Adriane viu Michael como um potencial atrapalho para a produção de sua equipe, foi logo dizendo: – Michael ajude a trazer o saco de farinha do depósito.
   Depois disso, pediu dele várias outras coisas, de modo que as três horas passaram rapidamente.
– Tenho que ir. Vou participar de um ataque aos assírios, mas não estarei em perigo. Disse Michael, antes que Adriane lhe desse um outro serviço. Deu um beijo apaixonado em Penina e dirigiu-se à fortaleza.
Cerca de 40 bolas do tamanho de meio homem estavam prontas.
– Venha cá, Michael, gritou Eliézer.
– Michael, eu quero que você escolha cinquenta arqueiros para irem sob seu comando.
Michael perguntou a Eliézer como fariam em relação aos soldados assírios que estavam no meio da descida.
– Vocês irão com escudos e se defenderão das flechas dos inimigos. Quando eles saírem da defesa de seus escudos, os arqueiros da muralha irão atingi-los.
Michael escolheu seus cinquenta arqueiros, dentre eles Simeon. Quando tudo estava pronto, fez-se um grande silêncio. Cerca de 250 arqueiros estavam posicionados na muralha.
Eliézer deu o sinal de ataque abaixando o seu braço direito. O portão foi totalmente aberto e os 51 arqueiros correram aproximando-se dos soldados assírios que estavam a meio caminho da subida do monte. Eles demoraram bastante para perceberem a situação. Quando reagiram, saindo dos grandes escudos, eles foram alvejados pelas flechas que sibilaram do alto da fortaleza. Mesmo assim, três arqueiros efraimitas foram atingidos, mas não mortalmente. Os arqueiros desceram mais um pouco. No meio deles vinha uma caixa de metal com 4 apoios, contendo o material incandescente, carregado por quatro efraimitas.
— Preparem-se e atirem pelo menos três flechas incandescentes o mais longe possível, gritou Michael.
As flechas incandescentes pintaram o céu noturno de amarelo. Elas atingiram o meio do acampamento assírio e queimaram tudo que fosse incendiável, como as barracas, as roupas dos soldados que davam saltos tentando apagar as chamas e muitos foram queimados vivos. Centenas de soldados assírios foram atingidos pelas flechas.  
 Os arqueiros estavam na terceira rodada, quando os assírios começaram a subir o monte. Michael atirou mais duas flechas e ordenou: – Recuar imediatamente. Todos os arqueiros e os carregadores do material incandescente correram de volta para o portão principal, que permanecia aberto, enquanto os assírios estavam no seu encalço. Quando os assírios estavam dentro do campo de alcance das flechas, Eliézer gritou a plenos pulmões: – Agora, atirem nesses malditos assírios. Metade dos assírios caiu atingida pelas flechas.
Michael e seus arqueiros entraram na cidade e iam em direção à escada da muralha, enquanto os soldados efraimitas rolavam as bolas de fogo monte abaixo, atingindo os assírios em cheio. Muitos deles pulavam para as laterais do caminho.  
O portão de Samaria foi fechado e Michael já estava no corredor da muralha disparando suas flechas contra os assírios, aproveitando enquanto eles ainda estivessem dentro do raio de alcance das flechas.
  Os assírios sobreviventes fugiram em disparada, ao tempo em que os efraimitas comemoravam a vitória. Os assírios haviam perdido centenas de homens, ao passo que Samaria teve apenas três feridos.