Leitura em gotas:
O efraimita: a tribo perdida de Israel
Capítulo 26º
Os termos da rendição
O sítio de Samaria já demorava 2 anos e oito meses. Não havia mais
carne e a terra agricultável estava cansada e esvaída. A porção diária de
comida já havia sido reduzida duas vezes naquele ano.
O povo murmurava dizendo por que razão ele não havia se rendido
aos assírios e, agora, considerava que, provavelmente, os termos da rendição seriam
mais rigorosos.
Uma reunião de emergência fora convocada pelo concílio de anciãos
e os comandantes do exército efraimita.
O ancião Saul tomou a palavra e disse: – Nós vivemos dias muito
difíceis hoje e serão dias cada vez mais difíceis. A nossa pequena produção não
é mais suficiente para alimentar os mais de 60 mil cidadãos de Samaria. Nós
temos que decidir o que faremos. Temos três opções: primeira, permanecer
intramuros e nos alimentarmos dos que forem morrendo; segunda, atacar os
assírios com toda nossa força militar, o que nos levará, certamente, à
nossa destruição total; terceira, negociar os termos da rendição com os
assírios.
– Parece-me que essa decisão fundamental deverá ser tomada em
assembleia. Vocês concordam?
Fez-se um silêncio por alguns segundos, quando Daniel tomou a
palavra: – O quadro desenhado pelo ancião Saul também é o que fazemos. Não
temos condições de fazer frente ao exército assírio e chegamos ao fundo do
poço. Não há mais meios de aumentarmos a produção de alimentos e não temos mais
carne. O nosso arsenal está baixo. Concordamos com a realização da assembleia e
sugerimos o nome de Michael, o arqueiro, para presidi-la.
– Todos que estiverem de acordo, levantem uma de suas mãos. A
decisão foi unânime.
Dali a dois dias, Michael presidia a assembleia e a maioria votou
pela rendição.
Então Michael foi destacado para negociar os termos de rendição
com os assírios. Desceu o monte empunhando a bandeira branca e foi ter com Sargão
II.
– Então é isso! Depois de terem rejeitado os meus generosos termos
e de terem matado centenas de meus homens, agora vocês querem fazer um acordo
comigo?
– O que ganharia, Majestade, em travar um combate com nosso
exército, que renderia centena de milhares de mortos de parte a parte?
– Quais são os seus termos? Perguntou Sargão II.
– Que todos os homens e mulheres acima de 55 anos de idade
permaneçam em Samaria, que não deve ser destruída, bem assim aqueles que não
puderem se movimentar: velhos, deficientes físicos e mentais. Para cada mil que
ficarem, deverão permanecer 100 homens e mulheres com a respectiva prole, para
cuidar dessas pessoas.
– Eu concordo com esses termos, porque não quero levar inválidos
comigo. Mas quero levar os carros de guerra disponíveis.
– Temos cerca de 50 carros de guerra, mas sem os cavalos.
– De que números de pessoas estamos falando? Indagou Sargão II.
– Cerca de 20.000 homens e mulheres acima de 55 anos. Então dois
mil homens e mulheres, mais os respectivos filhos, deverão permanecer em
Samaria, para cuidar desse contingente. Aproximadamente 42.500 homens, mulheres e crianças poderão ser deportados.
– Eu quero também que todo ouro, prata e joias sejam carregadas
nos carros de guerra e a mim entregues. Exigiu Sargão II.
– Estaremos prontos para render-nos em cinco dias. Finalizou
Michael.
Michael retornou à Samaria e foi realizada uma assembleia para
informar ao povo os termos da rendição. Foi feito um recenseamento das pessoas
e todos deveriam depositar os seus pertences valiosos para serem entregues aos
assírios.
Houve muito choro em Samaria. Pessoas que seriam separadas de seus
entes queridos estavam em prantos. Foram escolhidos por sorteio os dois mil
homens e mulheres que permaneceriam em Samaria, dentre todos os voluntários
para isso.
Penina, Michael e seus familiares iriam para a deportação. Sabiam
que a decisão tomada por Samaria fora, dos males, o menor, e agora estavam, tanto quanto possível, otimistas em relação ao futuro e prontos para enfrentar as novas adversidades.

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