A taverna
Depois de um cochilo, Michael não conseguiu mais dormir. Parecia que
jatos de adrenalina tinham se alastrado por todo o seu corpo. O primeiro
combate fora diferente de tudo que imaginara. Em duas semanas, a sua vida
mudara de cabeça para baixo. E ainda por cima, encontrara Penina. _ Ah, esta
sim – pensou Michael – me faz feliz como jamais estive antes. Mas o que ela
faria na taverna à noite? Será que Penina era uma adoradora de Baal ou de
Merodaque (Marduk)? Nem tinha passado pela sua cabeça perguntar a Penina qual
era o seu deus. Aprendera com Marducai que essa era a primeira pergunta a ser
feita a uma moça.
Teve razões de sobra para deixar de avisar seus pais da sua saída,
temeroso que eles o proibissem de sair.
Perto das 22 horas, saiu de fininho da casa e dirigiu-se à taverna
pelas ruas quase desertas da cidade, levando consigo uma faca para eventual
autodefesa. Ao aproximar-se da Taverna, podiam-se ver os candeeiros acesos,
iluminando um punhado de pessoas gritando e dançando.
A taverna era uma construção de madeira com muitas janelas,
contendo um salão de cerca de 80 metros quadrados.
Ao assomar à porta, procurou por Penina e a encontrou sentada
junto a um grupo de mulheres. Enquanto caminhava em sua direção, um dos homens
mais entusiasmados do salão, apontou-lhe o dedo e gritou _ Olhem aqui, pessoal,
o herói da batalha está aqui! Muitos aplaudiram efusivamente, outros brindavam
a Michael.
Mais à frente, avistou alguns dos arqueiros que estiveram com ele,
fazendo-lhes uma mesura com a cabeça.
_ Oi, Penina e olá garotas, cumprimentou Michael. Devido ao
barulho, não entendeu o que elas responderam, apenas reconheceu o mesmo padrão
de gestos e risadas que vira na vinha.
_ Meu pai é aquele ali, disse Penina ao ouvido de Michael. _Ele
fez questão de que eu convidasse o herói do dia para comemorar! Como meu pai
não teve filho homem, ele me traz aqui de vez em quando.
_ É um alívio saber disso! Não sabe o que passou pela minha
cabeça.
_ Esse foi o objetivo! Você devia ver a sua cara quando entrou
aqui, disse Penina, soltando uma gargalhada gostosa.
_ Que mal lhe pergunte, qual é seu deus?
_ O mesmo que o seu. Eu pertenço a Jeová. E meu pai conhece tudo
sobre você e sua família, disse Penina entre sorrisos.
Nesse momento, Michael conseguiu relaxar e simplesmente apreciar
uma caneca de vinho que lhe trouxera o pai de Penina, Caleb, a quem Michael
cumprimentou com um abraço afetuoso. Não precisaram emitir uma palavra sequer,
mas os dois já se simpatizaram completamente naquele momento.
A uma hora da manhã aproximadamente, Michael aproximou o seu rosto
de Penina e lhe deu um beijo apaixonado. Levantou-se e disse _ Tenho que ir;
devo me apresentar às três horas na muralha. _ Está bem, redarguiu Penina, que
se levantou e acompanhou-o até a saída.
Chegando a casa, Michael vestiu sua indumentária militar e foi
imediatamente para a muralha, porque sabia que dormiria se deitasse na cama.

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