Leitura em gotas:
O efraimita: a tribo perdida de
Israel
Capítulo quarto
Ninrud
Naquela tarde chovia na cidade de Ninrud, capital militar do
Império Assírio, com área de 360 hectares, situada ao sul do rio Tigre e ao
norte da Mesopotâmia, região que corresponde atualmente às proximidades da aldeia de Noomanea, que dista 30
quilômetros de Mossul, no atual Iraque.
Ninrud era uma cidade esplêndida, onde se erguiam construções de
até 4 andares. Avistavam-se, longe da cidade, os zigurates, que eram torres
altas erguidas para adoração ao deus Assur, cabeça de homem num corpo de cavalo.
A chuva realçava os tijolos vitrificados policromáticos que
adornavam o Palácio de Assur, onde se encontrava o rei Sargão II com seus conselheiros
militares.
_ Alteza, disse o conselheiro mais graduado, podemos arrasar Israel
a qualquer momento. Nossas armas de ferro são superiores e nossas tropas são
mais organizadas e em número maior. Aliado a isso, o reino do Norte está
enfraquecido após a morte do rei Oseias e vem sendo governado por um grupo de
anciãos.
_ Eu não quero arrasá-los, disse o rei. Eu quero enfraquecê-los e
dispersá-los. Eles têm um Deus muito poderoso. Os israelitas são pastores e
agricultores em geral e, por serem cordatos e servis, servem aos nossos
propósitos de dominação.
_ Alteza, posso me manifestar? Perguntou Aragones o comandante
militar.
_ Sim, prossiga; o seu conselho me é importante, respondeu o rei.
_ Alteza, concordo com o conselho de Thirso quanto a atacar apenas
o reino do norte, mas a dominação completa dependerá da conquista da capital
Samaria e isso demandará tempo, porque ela se situa a mais de 90 metros de
altura e é toda cercada por altos muros.
_ Aragones – disse o rei exasperado - você acha que não sou capaz
de conquistar Samaria?
_ Não, de forma alguma, Alteza. Eu apenas estou colocando-o ao par
da situação.
_ Aragones, disse o rei, em quanto tempo teremos o nosso exército
pronto e equipado para marchar.
_ As tropas de Ninrud podem encontrar-se com as de Nínive e Assur em
três dias na planície da mesopotâmia.
_ Então, está resolvido: enviem imediatamente os mensageiros para
Nínive e Assur e 5 espias irão à nossa frente e partirão amanhã.
Três dias depois, as tropas do rei Sargão II encontravam-se com as
tropas de Nínive e Assur na planície mesopotâmica.
O exército de 150 mil homens marchava cadenciado. À frente vinham
os cavaleiros e na sequência, os carros de combate, os arqueiros, os lanceiros
e, por último, os soldados a pé. Os dois aríetes eram carregados por 3 carros
de combate especiais, mais compridos.
Os soldados calçavam uma espécie de bota feita de couro que cobria a perna cinco dedos abaixo do joelho. Usavam um capacete que cobria o topo da cabeça até o meio da testa em forma de uma gota. Vestiam uma túnica trespassada que era fechada com o auxílio de um cinto.
O rei Sargão II ficava
guarnecido entre os lanceiros e os soldados da retaguarda num carro de combate.
Levou três dias para o exército
se aproximar de Samaria. O forte som da marcha era escutado a cerca de 500
metros de distância. Todos que ouviam o estrondo, corriam para a cidade de
Samaria.
O sinal de alerta foi disparado pelos guardas que estavam nos muros e os portões de Samaria foram fechados e trancados. Os arqueiros postaram-se no alto dos muros e o comandante militar do exército do reino do Norte, Daniel, gritava com seus comandados, gesticulando sem parar. Ele determinou que os arqueiros tomassem suas posições no alto dos muros com a ordem de somente atirar se os assírios estivessem no campo de alcance das flechas.
O exército assírio postou-se principalmente nos três portões de
Samaria fora do alcance dos arqueiros inimigos e foram matando os habitantes de
Samaria que procuravam entrar na cidade.
Seria uma longa noite para assírios e efraimitas.

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