terça-feira, 13 de setembro de 2016

Leitura em gotas. "O efraimita: a tribo perdida de Israel". Quarto capítulo: Ninrud



Leitura em gotas:

O efraimita: a tribo perdida de Israel

Capítulo quarto
Ninrud


Naquela tarde chovia na cidade de Ninrud, capital militar do Império Assírio, com área de 360 hectares, situada ao sul do rio Tigre e ao norte da Mesopotâmia, região que corresponde atualmente às proximidades da aldeia de Noomanea, que dista 30 quilômetros de Mossul, no atual Iraque.
Ninrud era uma cidade esplêndida, onde se erguiam construções de até 4 andares. Avistavam-se, longe da cidade, os zigurates, que eram torres altas erguidas para adoração ao deus Assur, cabeça de homem num corpo de cavalo.
A chuva realçava os tijolos vitrificados policromáticos que adornavam o Palácio de Assur, onde se encontrava o rei Sargão II com seus conselheiros militares.
_ Alteza, disse o conselheiro mais graduado, podemos arrasar Israel a qualquer momento. Nossas armas de ferro são superiores e nossas tropas são mais organizadas e em número maior. Aliado a isso, o reino do Norte está enfraquecido após a morte do rei Oseias e vem sendo governado por um grupo de anciãos.
_ Eu não quero arrasá-los, disse o rei. Eu quero enfraquecê-los e dispersá-los. Eles têm um Deus muito poderoso. Os israelitas são pastores e agricultores em geral e, por serem cordatos e servis, servem aos nossos propósitos de dominação.  
_ Alteza, posso me manifestar? Perguntou Aragones o comandante militar.
_ Sim, prossiga; o seu conselho me é importante, respondeu o rei.
_ Alteza, concordo com o conselho de Thirso quanto a atacar apenas o reino do norte, mas a dominação completa dependerá da conquista da capital Samaria e isso demandará tempo, porque ela se situa a mais de 90 metros de altura e é toda cercada por altos muros.
_ Aragones – disse o rei exasperado - você acha que não sou capaz de conquistar Samaria?
_ Não, de forma alguma, Alteza. Eu apenas estou colocando-o ao par da situação.
_ Aragones, disse o rei, em quanto tempo teremos o nosso exército pronto e equipado para marchar.
_ As tropas de Ninrud podem encontrar-se com as de Nínive e Assur em três dias na planície da mesopotâmia.
_ Então, está resolvido: enviem imediatamente os mensageiros para Nínive e Assur e 5 espias irão à nossa frente e partirão amanhã.
Três dias depois, as tropas do rei Sargão II encontravam-se com as tropas de Nínive e Assur na planície mesopotâmica. 
O exército de 150 mil homens marchava cadenciado. À frente vinham os cavaleiros e na sequência, os carros de combate, os arqueiros, os lanceiros e, por último, os soldados a pé. Os dois aríetes eram carregados por 3 carros de combate especiais, mais compridos.   
Os soldados calçavam uma espécie de bota feita de couro que cobria a perna cinco dedos abaixo do joelho. Usavam um capacete que cobria o topo da cabeça até o meio da testa em forma de uma gota. Vestiam uma túnica trespassada que era fechada com o auxílio de um cinto. 
O rei Sargão II ficava guarnecido entre os lanceiros e os soldados da retaguarda num carro de combate.
 Levou três dias para o exército se aproximar de Samaria. O forte som da marcha era escutado a cerca de 500 metros de distância. Todos que ouviam o estrondo, corriam para a cidade de Samaria. 
O sinal de alerta foi disparado pelos guardas que estavam nos muros e os portões de Samaria foram fechados e trancados. Os arqueiros postaram-se no alto dos muros e o comandante militar do exército do reino do Norte, Daniel, gritava com seus comandados, gesticulando sem parar. Ele determinou que os arqueiros tomassem suas posições no alto dos muros com a ordem de somente atirar se os assírios estivessem no campo de alcance das flechas. 
O exército assírio postou-se principalmente nos três portões de Samaria fora do alcance dos arqueiros inimigos e foram matando os habitantes de Samaria que procuravam entrar na cidade.
Seria uma longa noite para assírios e efraimitas.      



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