Leitura em gotas:
O efraimita: a tribo perdida de
Israel
Capítulo sexto
O aríete
Michael de um salto pôs-se de pé ao ouvir as trombetas chamando os
militares. Pôs a sua túnica de soldado, as sandálias, o capacete e apanhou o arco
que recebera há uma semana e também a aljava cheia de flechas.
Deviam ser três horas da manhã. A sua mãe e seu pai o esperavam na
dependência social.
_ Coma alguma coisa antes meu filho, suplicou Rute.
_ Mãe, eu vou comendo no caminho, disse resoluto enquanto pegava o pão que
a sua mãe lhe oferecia.
_ Vamos logo filho! Disse impacientemente José.
Os dois se juntaram às centenas de militares que se dirigiam para o
portão principal.
_ O que houve? Por que estamos indo para o portão? Perguntou José aos
que estavam em volta.
_ Parece que os assírios vão atacar o portão, respondeu um soldado
quase sem fôlego.
Ao chegarem lá, separaram-se, tendo Michael se
juntado ao grupo de arqueiros.
_ Preciso de 30 homens, disse Eliézer. E foi chamando-os um a um,
até que pronunciou o nome de Michael.
_ Eu quero que vocês caprichem na pontaria e flechem os soldados
que estiverem transportando o aríete, ou qualquer um que se aproximar do
portão, vociferou aos brados Eliézer dirigindo-se aos seus 30 arqueiros. E
ajuntou: _ Façam boa pontaria e não atirem flechas perdidas. De forma alguma, deixem que o aríete chegue ao nosso portão. Vamos lá; podem
subir a muralha.
Michael correu na frente, para
ficar bem próximo ao portão e lá de cima avistou o movimento dos inimigos.
Os assírios tinham acabado de montar o aríete. Tratava-se de uma
base com 8 rodas, sobre as quais havia três apoios retangulares, de onde partiam
grossas correntes que enlaçavam um tronco com a ponta coberta por uma cabeça de
carneiro em bronze, pesando o conjunto pelo menos 800 quilos. O tronco
podia ser embalado para frente e para trás pela força de 8 soldados.
_ Soldados, bradou um soldado graduado assírio, vocês têm hoje o
privilégio de triunfarem, ou de tombarem pelo império Assírio. A sua vida, ou
sua morte, será celebrada eternamente pelo nosso povo e receberá a recompensa
eterna do nosso deus Assur. Agora, em frente!
Enquanto o exército assírio aguardava no sopé do monte, o aríete
ia vagarosamente subindo o monte de 91 metros. Depois de 15 metros, os 8
soldados estavam exaustos e foram substituídos por outros 8 soldados, número
que foi aumentado de mais dois homens, que auxiliavam empurrando a traseira do
aríete.
Após muitas substituições, quando chegaram à distância de 60
metros do portão, trinta e depois mais trinta flechas sibilaram no ar e atingiram 7 assírios,
tendo o aríete atropelado os dois homens da retaguarda e se lançado com força
monte abaixo, esfacelando-se contra a tropa assíria que não conseguiu se
afastar a tempo.
Os efraimitas soltaram gritos de alegria, pulavam e se abraçavam
como se tivessem ganho a guerra.
_ Arqueiros, disse Eliézer,
não é hora para celebrar, e, sim, para estarmos atentos. Vocês vão permanecer
até o pôr do sol e serão substituídos por outros 30 arqueiros. Deverão voltar
aqui às 3 horas da manhã. Não saiam dos seus postos até o pôr do sol. Vocês
receberão a sua porção aqui nos seus postos.
Michael pousou o seu arco na parede e sentou-se para descansar,
enquanto 10 arqueiros ficaram encarregados de vigiar o movimento assírio. O seu arco era feito de uma só madeira e tinha o comprimento de Michael.
Quando o sol estava a pino, algumas mulheres subiram na muralha e entregavam um pão a cada arqueiro.
Michael ao ouvir um burburinho, levantou a cabeça vagarosamente e
viu diante de si a bela Penina, que o saudava com um sorriso aberto.
_ Penina, até que enfim eu te achei.
_ Não, fui eu que te achei. Pegue esses dois pães.
_ Penina, o que você está fazendo.
_ Eu estou no grupo de mulheres que está fazendo e assando os
pães.
_ Penina, eu não paro de
pensar em você!
_ É mesmo, Michael! Como você pensa em mim? Perguntou Penina de
forma marota.
_ Não estou brincando, estou falando sério.
_ Se você quer falar sério,
então encontre-me na taverna às 10 horas da noite.
_ O que vai ter lá?
_ Você vai saber se for até lá.
_ Tudo bem, eu vou.
Penina aproximou-se de Michael e depositou nas suas faces um beijo demorado e ardente.
Até depois, disse ela, erguendo-se e saindo tão rápido quanto podia.

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