quinta-feira, 15 de setembro de 2016

leitura em gotas: "O aríete" (sexto capítulo)



Leitura em gotas:

O efraimita: a tribo perdida de Israel

Capítulo sexto
O aríete


Michael de um salto pôs-se de pé ao ouvir as trombetas chamando os militares. Pôs a sua túnica de soldado, as sandálias, o capacete e apanhou o arco que recebera há uma semana e também a aljava cheia de flechas.  
Deviam ser três horas da manhã. A sua mãe e seu pai o esperavam na dependência social.
_ Coma alguma coisa antes meu filho, suplicou Rute.
_ Mãe, eu vou comendo no caminho, disse resoluto enquanto pegava o pão que a sua mãe lhe oferecia.
_ Vamos logo filho! Disse impacientemente José.
Os dois se juntaram às centenas de militares que se dirigiam para o portão principal.
_ O que houve? Por que estamos indo para o portão? Perguntou José aos que estavam em volta.
_ Parece que os assírios vão atacar o portão, respondeu um soldado quase sem fôlego.
  Ao chegarem lá, separaram-se, tendo Michael se juntado ao grupo de arqueiros.
_ Preciso de 30 homens, disse Eliézer. E foi chamando-os um a um, até que pronunciou o nome de Michael.
_ Eu quero que vocês caprichem na pontaria e flechem os soldados que estiverem transportando o aríete, ou qualquer um que se aproximar do portão, vociferou aos brados Eliézer dirigindo-se aos seus 30 arqueiros. E ajuntou: _ Façam boa pontaria e não atirem flechas perdidas. De forma alguma, deixem que o aríete chegue ao nosso portão. Vamos lá; podem subir a muralha. 
Michael correu na frente, para ficar bem próximo ao portão e lá de cima avistou o movimento dos inimigos. 
Os assírios tinham acabado de montar o aríete. Tratava-se de uma base com 8 rodas, sobre as quais havia três apoios retangulares, de onde partiam grossas correntes que enlaçavam um tronco com a ponta coberta por uma cabeça de carneiro em bronze, pesando o conjunto pelo menos 800 quilos. O tronco podia ser embalado para frente e para trás pela força de 8 soldados.  
_ Soldados, bradou um soldado graduado assírio, vocês têm hoje o privilégio de triunfarem, ou de tombarem pelo império Assírio. A sua vida, ou sua morte, será celebrada eternamente pelo nosso povo e receberá a recompensa eterna do nosso deus Assur. Agora, em frente!
Enquanto o exército assírio aguardava no sopé do monte, o aríete ia vagarosamente subindo o monte de 91 metros. Depois de 15 metros, os 8 soldados estavam exaustos e foram substituídos por outros 8 soldados, número que foi aumentado de mais dois homens, que auxiliavam empurrando a traseira do aríete.
Após muitas substituições, quando chegaram à distância de 60 metros do portão, trinta e depois mais trinta flechas sibilaram no ar e atingiram 7 assírios, tendo o aríete atropelado os dois homens da retaguarda e se lançado com força monte abaixo, esfacelando-se contra a tropa assíria que não conseguiu se afastar a tempo.  
Os efraimitas soltaram gritos de alegria, pulavam e se abraçavam como se tivessem ganho a guerra.
 _ Arqueiros, disse Eliézer, não é hora para celebrar, e, sim, para estarmos atentos. Vocês vão permanecer até o pôr do sol e serão substituídos por outros 30 arqueiros. Deverão voltar aqui às 3 horas da manhã. Não saiam dos seus postos até o pôr do sol. Vocês receberão a sua porção aqui nos seus postos.
Michael pousou o seu arco na parede e sentou-se para descansar, enquanto 10 arqueiros ficaram encarregados de vigiar o movimento assírio. O seu arco era feito de uma só madeira e tinha o comprimento de Michael.
Quando o sol estava a pino, algumas mulheres subiram na muralha e entregavam um pão a cada arqueiro.
Michael ao ouvir um burburinho, levantou a cabeça vagarosamente e viu diante de si a bela Penina, que o saudava com um sorriso aberto.
_ Penina, até que enfim eu te achei.
_ Não, fui eu que te achei. Pegue esses dois pães.
_ Penina, o que você está fazendo.
_ Eu estou no grupo de mulheres que está fazendo e assando os pães.
 _ Penina, eu não paro de pensar em você!
_ É mesmo, Michael! Como você pensa em mim? Perguntou Penina de forma marota.
_ Não estou brincando, estou falando sério.
 _ Se você quer falar sério, então encontre-me na taverna às 10 horas da noite.
_ O que vai ter lá?
_ Você vai saber se for até lá.
_ Tudo bem, eu vou.
Penina aproximou-se de Michael e depositou nas suas faces um beijo demorado e ardente. Até depois, disse ela, erguendo-se e saindo tão rápido quanto podia. 

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